Talvez a Cruella goste de cachorros

Numa cena punk rock londrina dos anos 70, a vigarista Estella, encenada por Emma Stone, vive a história de uma lenda, uma vilã dos contos de fada, Cruella.


Dessa vez, filha de estilista, segue em seus sonhos os passos de sua mãe. Em uma grande oportunidade começa a trabalhar com o que faz seus olhos brilharem e aí seus 47 looks apresentados no filme, são simplesmente espetáculares.


Desde o momento punk a fase em que ela dá a volta por cima e começa sua vingança ela tem personalidade. A prova de que estilo e personalidade andam juntos, não importa se você curte rock, se você é romântica ou super tradicional. Imprimir a sua personalidade é fundamental e a figurinista Jenny Beavan, ganhadora do Oscar por Mad Max: Fury Road e A Room With a View, foi simplesmente brilhante.


Uma das coisas que achei mais interessante é que a figurinista viveu essa época punk e ela encontrou identidade para criar a personagem. Uma das fases que ela mais gosta no filme é justamente essa em que ela sai da Liberty London e vai trabalhar para a Baronesa, encenada por Emma Thompson (que eu também AMO DE PAIXÃO).


A Baronesa aparece como personagem antagonista no filme e vem como uma estilista famosa, muito similar a Miranda Priestley de The Devil Wears Prada, apenas um pouco antiquada, menos vanguardista, trazendo uma certa "estrutura". Para representar esse lado antiquado, Jenny se inspirou no New Look de Dior, que apesar de icônico e inesquecível traz essa estrutura que a personagem pede e é de fato algo que veio do pós guerra (1947), já faz um tempinho, não?!




Jenny manteve a paleta de cores icônica da personagem como o preto, branco e vermelho e conforme Estella vai virando Cruella os figurinos a acompanham e essa mudança vai deixando tudo mais personalizado, mais nítido.


Eles tiveram apenas 10 semanas para criar todo o vestuário do filme e mais algumas semanas em que Emma Stone se recuperava de uma lesão no ombro. E uma das coisas mais curiosas que li sobre a figurinista é que ela tinha 5 costureiros chefes no time e os deixou livres para interpretarem juntos os personagens. “Se você permitir que as pessoas tenham um pouco de liberdade, dar a elas o sentido das coisas e ver o que acontece, às vezes acaba muito bem”, diz ela.


Está aí pra mim um dos segredos desse filme. O time fez parte do momento em que se cria e com isso ela deixou que todos eles se apaixonassem pelo projeto, como ela se apaixonou. Cada figurino tem um dono, que tem o mesmo desejo de todos os outros. Uma liderança compartilhada.


Um dos casos mais interessantes foi o vestido vermelho, usado por Cruella, uma homenagem ao vestido "Tree" de Charles James. A costureira sempre quis fazer um vestido desses, ela simplesmente realizou um sonho. E que sonho,



"Tree" de Charles James - Foto: fashioninhistory.tumblr.com



Criação do vestido para o filme






Veja as fotos oficiais do filme e a minha dica é ver esse filme hoje mesmo pelo streaming da Disney.
















E você, também amou essa construção de personagem?


Beijos

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